Filhos de Sepé

A agricultura convencional baseada em agrotóxicos e insumos químicos domina o mundo. Em 2013, a média de consumo no Brasil foi de 7,6 litros de veneno/pessoa/ano, segundo a ABRASCO*. A agricultura orgânica (predominantemente familiar) ocupa apenas 940 mil hectares das terras no Brasil, enquanto a agricultura convencional usa 240 milhões de hectares. No entanto o Brasil é o país onde a agricultura orgânica mais cresce no mundo: 30% ao ano!

Sementes crioulas do seu Tisott no Assentamento Filhos de Sepé, Viamão, Rio Grande do Sul.

No final de fevereiro tive a alegria de visitar três produtores agroecológicos no assentamento do MST Filhos de Sepé, em Viamão RS. Este assentamento foi criado em 1998 numa área de 9.450 hectares que abriga 376 famílias. Esta área fica dentro da APA (área de proteção ambiental) Banhado Grande, com 133.000 hectares.  Dentro do assentamento, foi criada pela SEMA (Secretaria do Meio Ambiente do RS), em 2002, uma unidade de conservação chamada Refúgio de Vida Silvestre Banhado dos Pachecos, com 2.543 hectares. Ali, além de habitarem várias espécies de aves e o jacaré-do-papo-amarelo, é a única região do Rio Grande do Sul onde ainda encontra-se o cervo-do-pantanal.*

Na primeira visita fomos à um mutirão para a colheita artesanal de arroz negro orgânico, na propriedade de Huli Zang. O MST no Rio Grande do Sul é hoje em dia o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, sendo que o assentamento Filhos de Sepé é a maior área contínua de plantio de arroz orgânico. Nas outras duas visitas, estivemos nas propriedades do seu Tisott e da dona Nilza, que cultivam várias espécies de plantas.

Nestas visitas, aprendemos que a agricultura agroecológica não é apenas um sistema que não usa venenos nem insumos químicos. Na verdade, é um estilo de vida, no qual o agricultor vive e produz em harmonia com a natureza. Apoiar a agroecologia, consumindo sua produção através das feiras ecológicas e outras iniciativas, pode ser um caminho não só para melhorar nossa saúde, mas também para construir um novo modelo de economia e de sociedade mais justa e ecológica.

*Fonte:  Dissertação de mestrado de Ricardo Diel – Gerenciamento de recursos hídricos: um estudo de caso no assentamento Filhos de Sepé – UFSC 2011

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