{"id":36,"date":"2009-07-08T19:34:45","date_gmt":"2009-07-08T22:34:45","guid":{"rendered":"http:\/\/zepaiva.wordpress.com\/?p=36"},"modified":"2009-07-08T19:34:45","modified_gmt":"2009-07-08T22:34:45","slug":"36-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zepaiva.com\/en\/36-2\/","title":{"rendered":"Reduto de artistas"},"content":{"rendered":"<p>Caros amigos<\/p>\n<p>Abaixo transcrevo o excelente texto do grande fot\u00f3grafo e amigo <strong>Luiz Carlos Felizardo<\/strong> publicado na revista Aplauso n\u00ba 95 de 2008, na sua coluna Imago, sobre o meu livro &#8220;Natureza Ga\u00facha&#8221; (<a href=\"http:\/\/www.metalivros.com.br\/\" target=\"_blank\">Editora Metalivros<\/a>) e sobre o livro &#8220;Porto Alegre &#8211; cenas urbanas, paisagens rurais&#8221; de Eurico Salis. Boa leitura!<\/p>\n<figure id=\"attachment_37\" aria-describedby=\"caption-attachment-37\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-37\" title=\"Travessa dos Venezianos, foto de Eurico Salis.\" src=\"http:\/\/zepaiva.com\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/eurico.jpg\" alt=\"Travessa dos Venezianos, foto de Eurico Salis.\" width=\"600\" height=\"494\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-37\" class=\"wp-caption-text\">Travessa dos Venezianos, foto de Eurico Salis.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Dois livros foram lan\u00e7ados h\u00e1 pouco, um de Eurico Salis (Porto Alegre \u2014 Cenas Urbanas, Paisagens Rurais), outro de Jos\u00e9 Luiz Martins Paiva, o Z\u00e9 Paiva ( Natureza Ga\u00facha). Ambos s\u00e3o belas edi\u00e7\u00f5es, bem produzidas e acabadas, o do Z\u00e9 Paiva feito em S\u00e3o Paulo, o do Eurico por aqui mesmo, com qualidade equivalente (o que mostra que nossa ind\u00fastria gr\u00e1fica vai bem, obrigado). Ambos os trabalhos demonstram dedica\u00e7\u00e3o extrema aos assuntos que abordam, n\u00e3o apenas pelo f\u00f4lego e compet\u00eancia com que cobrem \u00e1reas extensas, mas pela qualidade das fotografias que os comp\u00f5em.<\/p>\n<p>Mas existe algo al\u00e9m das fotografias que os destaca e ati\u00e7a minha curiosidade: h\u00e1 uma mesma cidade e uma regi\u00e3o na raiz dos dois trabalhos \u2014 o Eurico \u00e9 de Bag\u00e9, come\u00e7ou l\u00e1 a fotografar, e o Z\u00e9, que vive em Santa Catarina, mesmo tendo nascido em Porto Alegre est\u00e1 ligado a Bag\u00e9 por suas duas fam\u00edlias e por incont\u00e1veis f\u00e9rias de inf\u00e2ncia vividas por l\u00e1, na fronteira com o Uruguai.<\/p>\n<p>A mesma regi\u00e3o est\u00e1 presente nas ra\u00edzes de Leonardo Costa, outro fot\u00f3grafo bageense, autor das capas da primeira Isto \u00c9. E eu mesmo, nascido e criado em Porto Alegre, sempre atribu\u00ed ao tempo passado em Bag\u00e9, na fazenda em que vivia meu padrinho, o in\u00edcio da minha paix\u00e3o pela paisagem, pelos grandes espa\u00e7os e pelo sil\u00eancio das coisas. N\u00e3o por acaso, das sete fotos do ensaio que publiquei no 1\u00ba Almanaque Socioambiental, sobre a regi\u00e3o do pampa, cinco nasceram em Bag\u00e9. Nem \u00e9 acaso que minha exposi\u00e7\u00e3o Quer\u00eancia tenha sido produzida, predominantemente, nos campos e galp\u00f5es de Bag\u00e9.<\/p>\n<figure id=\"attachment_38\" aria-describedby=\"caption-attachment-38\" style=\"width: 402px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-38\" title=\"vista07d09868\" src=\"http:\/\/zepaiva.com\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/vista07d09868.jpg\" alt=\"vista07d09868\" width=\"402\" height=\"600\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-38\" class=\"wp-caption-text\">Dunas no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, foto de Z\u00e9 Paiva.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Qu\u00ea diabos tem essa cidade para que sua influ\u00eancia tenha gerado tantos fot\u00f3grafos (e artistas, como se ver\u00e1)? Como \u00e9 que uma regi\u00e3o estigmatizada pela \u201cgrossura\u201d ga\u00facha pode produzir tanta gente sens\u00edvel? A incongru\u00eancia aparente j\u00e1 rendeu a figura do not\u00e1vel Analista de Bag\u00e9\u2026 Se nosso olhar for um pouco mais amplo, saberemos que, em 1948, Glauco Rodrigues, Dan\u00fabio Gon\u00e7alves e Gl\u00eanio Bianchetti, os tr\u00eas bageenses, constitu\u00edram o Grupo de Bag\u00e9, consolidado mais como o Clube de Gravura de Bag\u00e9. Do grupo tamb\u00e9m participou o \u00f3timo, nunca suficientemente lembrado Avatar Moraes \u2013 bageense do Rodeio Colorado.\u00a0 A Dan\u00fabio, se atribui a frase\u00a0 \u201cQuando eu viajava para Bag\u00e9, de trem, via os pessegueiros em flor \u2014\u00a0 e via Van Gogh.\u201d, que pode\u00a0 \u2028servir de pista para que se comece a compreender um pouco do mist\u00e9rio. Gl\u00eanio, com quem acabo de conversar por telefone, anda faceiro com o restauro dos espa\u00e7os da antiga vila de Santa Tereza (que conheci muito bem quando menino), que incluem a capela \u2013 que abrigar\u00e1 uma nova obra dele \u2014 criando em Bag\u00e9 mais um espa\u00e7o cultural.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se p\u00e1ra por a\u00ed: o hoje fot\u00f3grafo Leopoldo Plentz foi casado com uma bageense e fez l\u00e1 sua primeira exposi\u00e7\u00e3o (de desenhos e gravuras), tamb\u00e9m de Bag\u00e9 \u00e9 o fot\u00f3grafo Cacalos Garrastaz\u00fa, e Artur Poester, fot\u00f3grafo (irm\u00e3o da Teresa, artista bem conhecida, tamb\u00e9m presente nos resultados do restauro de Santa Tereza) casou com Helena, filha do Severino Collares, sujeito fant\u00e1stico, misto de estancieiro, anfitri\u00e3o de artistas, incentivador do Grupo de Bag\u00e9 e das artes em geral \u2013 todos, desnecess\u00e1rio dizer, bageenses. Um dos bageenses mais bageenses que eu conhe\u00e7o, o grande arquiteto (portanto artista) Nelson Saraiva, morava, quando crian\u00e7a, a poucas casas de um dos av\u00f3s do Z\u00e9 Paiva \u2013 e, como ele, vive h\u00e1 muitos anos em Florian\u00f3polis. Ou seja, fecha-se o c\u00edrculo das coincid\u00eancias.<br \/>\nCoincid\u00eancias? S\u00f3 pode achar que a rela\u00e7\u00e3o entre Bag\u00e9 e as artes situa-se nesse terreno quem deixar de ler o excelente texto de Rualdo Menegat (O DNA da paisagem) que introduz o livro do Z\u00e9 Paiva, onde ele diz: \u201cA identidade de cada pessoa \u00e9 indissoci\u00e1vel da paisagem e do lugar onde nasceu.\u201d S\u00f3 pode considerar coincid\u00eancia essa rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o estreita quem desconhecer as id\u00e9ias de Pedro Nava, cujas palavras foram usadas como ep\u00edgrafe de minha exposi\u00e7\u00e3o Quer\u00eancia:<br \/>\n&#8220;Essa \u00e1reas, n\u00e3o posso chamar de p\u00e1tria, porque n\u00e3o as amo civicamente. O meu sentimento \u00e9 mais inevit\u00e1vel, mais profundo e mais alto porque vem da inseparabillidade, do entranhamento, da unidade e da consubstancia\u00e7\u00e3o. Sobretudo, da poesia&#8230; Assim, onde \u00e9 que j\u00e1 se viu um pouco d&#8217;\u00e1gua amar o resto da \u00e1gua? Se tudo \u00e9 \u00e1gua&#8230; Essa \u00e9 a minha terra. Tamb\u00e9m ela me tem e a ela perten\u00e7o sem possibilidade de alforria. Do seu solo, eu como. Da sua \u00e1gua, eu bebo. Por ela serei comido&#8221;.<\/p>\n<p>Por Luiz Carlos Felizardo, publicado na revista Aplauso n\u00ba 95 de 2008.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros amigos Abaixo transcrevo o excelente texto do grande fot\u00f3grafo e amigo Luiz Carlos Felizardo publicado na revista Aplauso n\u00ba 95 de 2008, na sua coluna Imago, sobre o meu livro &#8220;Natureza Ga\u00facha&#8221; (Editora Metalivros) e sobre o livro &#8220;Porto Alegre &#8211; cenas urbanas, paisagens rurais&#8221; de Eurico Salis. Boa leitura! 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