{"id":509,"date":"2010-04-25T19:47:24","date_gmt":"2010-04-25T22:47:24","guid":{"rendered":"http:\/\/zepaiva.wordpress.com\/?p=509"},"modified":"2010-04-25T19:47:24","modified_gmt":"2010-04-25T22:47:24","slug":"entrevista-com-fabio-colombini","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/zepaiva.com\/en\/entrevista-com-fabio-colombini\/","title":{"rendered":"Entrevista com F\u00e1bio Colombini"},"content":{"rendered":"<p>Esses dias entrevistei\u00a0 <a href=\"http:\/\/www.fabiocolombini.com.br\/\" target=\"_blank\">F\u00e1bio Colombini<\/a>, um dos maiores especialistas em fotografia de natureza no Brasil, especialmente macro fotografia. A entrevista, que reproduzo abaixo, foi publicada no blog do festival <a href=\"http:\/\/www.floripanafoto.com\/blog\/\" target=\"_blank\">Floripa na Foto,<\/a> que acontece em maio aqui em Florian\u00f3polis, com alguns dos maiores nomes da fotografia brasileira, colocando a cidade no roteiro dos festivais que assola o pa\u00eds.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/zepaiva.com\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/fabio.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-511\" title=\"Fabio\" src=\"http:\/\/zepaiva.com\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/fabio.jpg?w=235\" alt=\"\" width=\"235\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"color:#999999;\"><strong>Z\u00e9 Paiva \u2013 Quando come\u00e7ou teu interesse pela natureza, foi ainda quando crian\u00e7a? E a fotografia, em especial a de natureza, como entrou na tua vida?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Fabio Colombini &#8211;<\/strong> Sim, come\u00e7ou bem cedo. Me lembro de aos 5 anos observar intrigado e maravilhado uma asa de borboleta que caiu no quintal de casa. A fotografia entrou como um meio de registrar e compartilhar as cenas que via numa regi\u00e3o vizinha a Atibaia-SP, onde meus pais tinham uma casa. Praticamente todo fim de semana \u00edamos para l\u00e1, e minha divers\u00e3o de adolescente era procurar e fotografar os insetos.<\/p>\n<p><span style=\"color:#999999;\"><strong>Z\u00e9 Paiva<\/strong> &#8211; Como foi a mudan\u00e7a da arquitetura e da publicidade para a fotografia?<\/span><\/p>\n<p><strong>Fabio Colombini <\/strong>&#8211; Apesar do amor \u00e0 fotografia de natureza, com 16 ou 17 anos n\u00e3o conseguia enxergar um futuro vi\u00e1vel como fot\u00f3grafo profissional, ent\u00e3o optei por uma forma\u00e7\u00e3o mais tradicional, sendo a arquitetura um equil\u00edbrio entre a arte e a t\u00e9cnica. Busquei tamb\u00e9m a publicidade pelo uso da criatividade e comunica\u00e7\u00e3o pela imagem. Mas durante a universidade fiz um curso paralelo autodidata, dedicando todo meu tempo livre ao estudo da fotografia e da biologia. Antes de me formar j\u00e1 estava fazendo meus primeiros trabalhos na \u00e1rea, vislumbrando a real possibilidade de ser fot\u00f3grafo.<\/p>\n<p><span style=\"color:#999999;\"><strong>Z\u00e9 Paiva<\/strong> &#8211; Como voce viabiliza teu trabalho de natureza? Voc\u00ea faz trabalhos  comerciais tamb\u00e9m?<\/span><\/p>\n<p><strong>Fabio Colombini<\/strong> &#8211; Hoje, depois de 23 anos de profiss\u00e3o, meu nome e trabalho est\u00e3o bem consolidados no mercado, e tenho possibilidade de restringir minha atua\u00e7\u00e3o somente na fotografia de natureza. Mas nos primeiros anos de carreira, o esfor\u00e7o para abrir contatos e conquistar clientes foi muito \u00e1rduo. Fiz trabalhos na \u00e1rea de agricultura e institucional, mas que foram importantes para poder investir em meus ensaios e produ\u00e7\u00f5es particulares.<\/p>\n<p><span style=\"color:#999999;\"><strong>Z\u00e9 Paiva <\/strong>&#8211; Qual a sua inspira\u00e7\u00e3o? Quais artistas te inspiram? Que obras te  marcaram? Livros, fotos, pinturas, filmes\u2026 enfim.<\/span><\/p>\n<p><strong>Fabio Colombini<\/strong> &#8211; O fot\u00f3grafo de natureza Haroldo Palo Jr. foi minha inspira\u00e7\u00e3o inicial, por se tratar de um pioneiro da fotografia de natureza no Brasil \u2013 uma palestra sobre seu trabalho no Pantanal no cursinho que eu estudava foi fundamental para meu incentivo. Dentre as in\u00fameras obras que li, marcou-me muito o trabalho de Eliot Porter, que enfocava fragmentos da paisagem, grafismos, detalhes de solo. E tamb\u00e9m o de Stephen Dalton, com imagens de insetos voando capturadas com flashes de alta velocidade. Tenho tamb\u00e9m grande admira\u00e7\u00e3o pelas colagens de Matisse, pela arte de Volpi, Mir\u00f3, do artista sacro Claudio Pastro, que certamente contribuem para a educa\u00e7\u00e3o do olhar para a beleza.<\/p>\n<p><span style=\"color:#999999;\"><strong>Z\u00e9 Paiva <\/strong>&#8211; Qual foi a maior roubada durante um trabalho fotogr\u00e1fico, quero dizer, a  situa\u00e7\u00e3o mais complicada que voc\u00ea j\u00e1 enfrentou?<\/span><\/p>\n<p><strong>Fabio Colombini <\/strong>&#8211; J\u00e1 vivi v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es complicadas como encalhar no Pantanal, me perder na Caatinga, ficar sem \u00e1gua no Raso da Catarina, ser coberto por centenas de picadas de carrapatos, cair em cachoeira, provocar tendinite por excesso de esfor\u00e7o, quebrar motor de barco em alto e agitado mar. Mas houve uma situa\u00e7\u00e3o em que meu carro literalmente afundou na areia mole da des\u00e9rtica praia de Cassino-RS, afastado 15 km da cidade, sozinho, anoitecendo, e com a mar\u00e9 subindo. Felizmente apareceram 12 pescadores com um caminh\u00e3o para me ajudar.<\/p>\n<p><span style=\"color:#999999;\"><strong>Z\u00e9 Paiva <\/strong>&#8211; Como voc\u00ea resumiria teu fluxo de trabalho, teu processo, desde o  planejamento at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p><strong>Fabio Colombini<\/strong> -Desde o in\u00edcio de minha carreira conto com a sociedade de minha esposa, o que me permite viajar e \u00a0concentrar mais nos assuntos fotogr\u00e1ficos, enquanto o est\u00fadio continua atendendo aos clientes. Apesar disso, a maior parte do trabalho \u00e9 em frente a um computador, como qualquer escrit\u00f3rio, dedicando ao tratamento de imagens, identifica\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o, contratos, propostas, etc. Quando n\u00e3o estou atendendo a pedidos espec\u00edficos de produ\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica, planejo expedi\u00e7\u00f5es a lugares e santu\u00e1rios ecol\u00f3gicos em que nunca estive, que desejo aprofundar um trabalho pessoal, ou que t\u00eam sido mais procurado por meus clientes. Viajo com determinados objetivos e pautas, mas na fotografia de natureza \u00e9 fundamental estar aberto e preparado para a boa surpresa ou decep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span style=\"color:#999999;\"><strong>Z\u00e9 Paiva<\/strong> -O que te motiva no teu trabalho pessoal?<\/span><\/p>\n<p>Fabio Colombini \u2013 Motiva pensar que temos uma natureza exuberante em nosso pa\u00eds e que pouco se sabe ainda sobre ela. Motiva sempre estar descobrindo coisas novas para fotografar e jeitos novos de fotografar coisas velhas. Motiva sempre me surpreender e encantar pela natureza e conseguir enxergar Deus atrav\u00e9s dela. Motiva saber que fa\u00e7o um trabalho \u00fatil para a sociedade, ajudando na educa\u00e7\u00e3o, conhecimento cient\u00edfico e preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p><span style=\"color:#999999;\"><strong>Z\u00e9 Paiva<\/strong> -Qual foi o trabalho ou a imagem que voc\u00ea produziu que mais te marcou?<\/span><\/p>\n<p><strong>Fabio Colombini <\/strong>-Creio que foi a do fen\u00f4meno da bioluminesc\u00eancia no Parque Nacional das Emas. \u00c9 um acontecimento raro, que acontece numa \u00e9poca espec\u00edfica do ano. Larvas de vagalume habitam cavidades nas paredes dos cupinzeiros, e como h\u00e1 uma enorme quantidade deles nos campos do parque, a vis\u00e3o \u00e9 incr\u00edvel \u2013 milhares de pequenas e t\u00eanues luzes na paisagem noturna. Como n\u00e3o havia ainda a c\u00e2mera digital, o trabalho exigiu que ficasse algumas noites produzindo imagens de longa exposi\u00e7\u00e3o, no sil\u00eancio e solid\u00e3o do cerrado, sem a certeza de que o trabalho estava dando certo. Cada vez que olho os cromos produzidos, lembro-me exatamente das sensa\u00e7\u00f5es vividas.<\/p>\n<p><span style=\"color:#999999;\"><strong>Z\u00e9 Paiva<\/strong> -Qual o lugar no Brasil que voc\u00ea considera o mais belo ou o mais sagrado?  Voc\u00ea tem um lugar secreto? E no mundo?<\/span><\/p>\n<p><strong>Fabio Colombini <\/strong>-Tenho dedicado minha atua\u00e7\u00e3o especialmente no Brasil, uma vez que temos a maior biodiversidade do mundo. H\u00e1 lugares que considero preciosos, como a Chapada Diamantina nos seus rios, pedras, cavernas, cachoeiras, plantas; ou Fernando de Noronha nas suas praias, aves, tons de azuis, tartarugas, peixes. Mas a Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 o lugar especial para mim, na ca\u00f3tica e harmoniosa combina\u00e7\u00e3o de verdes, formas, folhas, \u00e1guas, insetos, fungos. \u00c9 l\u00e1 que encontro o Sagrado, a Beleza, o lugar secreto e discreto que n\u00e3o canso de admirar.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/zepaiva.com\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/broto-de-samambaia-36484ea.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-512\" title=\"broto de samambaia 36484ea\" src=\"http:\/\/zepaiva.com\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/broto-de-samambaia-36484ea.jpg\" alt=\"\" width=\"271\" height=\"406\" \/><\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esses dias entrevistei\u00a0 F\u00e1bio Colombini, um dos maiores especialistas em fotografia de natureza no Brasil, especialmente macro fotografia. 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