A Estranha Xícara

Está em cartaz no Instituto Ling, em Porto Alegre, a exposição de fotografias “A Estranha Xícara”, do meu amigo Luiz Carlos Felizardo. “Feliz”, para os amigos, é um dos grandes fotógrafos brasileiros. Tem um currículo invejável. Foi bolsista da Comissão Fullbright na década de 80 trabalhando sob a supervisão do mestre Frederick Sommer no Arizona. Expôs em várias cidades do Brasil e do exterior e, em 2011, foi o autor homenageado no Festival de Fotografia de Porto Alegre, com uma exposição retrospectiva no Santander Cultural. Como se não bastasse, ainda é um excelente escritor. Foi colunista da Revista Aplauso por muitos anos e publicou dois livros de crônicas: Relógio de Ver e Imago (vale a pena ler os dois).

Alguns anos atrás, quando estive pela primeira vez no seu apartamento, ele me mostrou uma das primeiras experiências onde mesclava uma de suas magníficas fotografias em preto e branco (uma ruela em alguma cidade medieval européia) com um cachorrinho fotógrafo de nome Droopy. Fiquei muito surpreso com a imagem, pois quebrava todo o paradigma que eu tinha formado sobre a obra do Felizardo. Um fotógrafo na linhagem direta dos mestres da straight photography: Weston, Adams, Stieglitz e outros. Fotografou muito tempo com câmeras de formato grande, aquelas que tem um fole e que o fotógrafo se esconde sob um pano preto para visualizar a imagem. Na época ele já estava com ataxia, uma doença que compromete seriamente a coordenação motora. Então aquele era o caminho que havia escolhido para seguir seu trabalho autoral. Resumindo, não consegui ter uma opinião sobre a imagem que ele me mostrava, fiquei desconcertado.

Vários anos depois tenho o prazer de ver esse trabalho exposto na galeria do Instituto Ling. Agora faz muito sentido. Talvez porque eu tenha vindo preparado para essa nova linguagem do Feliz.  Estão expostas as imagens e os objetos pessoais que deram origem às mesmas. O título da mostra refere-se ao poema Cerâmica (1962), de Carlos Drummond de Andrade: Os cacos da vida, colados, formam uma estranha xícara./ Sem uso, / ela nos espia do aparador. Se estiver em Porto Alegre, não deixe de ver a exposição. Feliz tem lugar de destaque no panteão dos meus mestres.

QUANDO:

De 20 de novembro de 2018 a 23 de março de 2019

Segunda a sexta-feira das 10h30 às 22h;
Sábados, das 10h30 às 20h;
Domingos e feriados: fechado.

Dica: Lá tem uma filial do ótimo Press Café, mas funciona somente até as 20 horas.

Entrada franca

ONDE:

Instituto Ling

Rua João Caetano, 440 | Bairro Três Figueiras
Porto Alegre | RS

51 3533 5700

LUIZ CARLOS FELIZARDO (Porto Alegre, 1949)

Cursou Arquitetura na UFRGS entre 1968 e 1972, quando passou a dedicar-se exclusivamente à fotografia. Participou de mostras coletivas e individuais no Brasil, América Latina, EUA e Europa, dentre as quais se destacam: Signos de la Bienal — Síria, Tunísia e Argélia; Missões 300 Anos — A Visão do Artista; La Fotografía Iberoamericana, Madrid; Fotografía Brasileña: Historia y Contemporaneidad, Cali, Colombia (curadoria de Frederico Morais); Jogo do Olhar, MASP; Brasilianische Fotografie 1946-1998 (curadoria de Rubens Fernandes Junior), Kunstmuseum Wolfsburg, Alemanha / Fundação António Cupertino de Miranda,  Porto (Portugal); Percurso de um olhar, UFRGS.

Em 2008 recebeu a Bolsa de Incentivo à Criação da FUNARTE para desenvolvimento de seu projeto Querência. Bolsista da Comissão Fulbright (1984/1985), trabalhou sob supervisão de Frederick Sommer (1905-1999) em Prescott, Arizona, EUA.  Autor dos livros O Relógio de Ver e IMAGO. Em 2011 foi publicado A Fotografia de Luiz Carlos Felizardo e realizada exposição retrospectiva de sua obra no Santander Cultural, no Fotograma de Montevideo (Uruguai) e em Fortaleza, 2012.

Foto: Carlos Macedo / Agência RBS

Fotografia Contemplativa – veja como foi a oficina

No final de semana de 29/junho a 1º/julho Zé Paiva ministrou a oficina de fotografia contemplativa no CEBB (Centro de Estudo Budistas Bodisatva) de Porto Alegre RS. Foi a segunda oficina desse tipo facilitada por ele. A primeira foi ano passado na Oikos em Criciúma SC. A oficina propôs aos participantes um novo olhar através de práticas meditativas e referências dos mestres Chogyam Trungpa Rimpoche, Sensei Kazuaki Tanahashi e Lama Padma Samten. A saídas a campo foram no belíssimo Parque Farroupilha, também conhecido como Parque da Redenção, vizinho ao CEBB. Vejam abaixo as fotos dos participantes.

Mestre Kaz Sensei no Brasil

Palestra de Kazuaki Tanahashi Sensei no Teatro da Hebraica – Porto Alegre RS

Sensei Kazuaki Tanahashi nasceu no Japão em 1933 e mora nos Estados Unidos desde 1977. Artista e contemplativo com uma trajetória incrível — erudito e professor do Zen, mestre artista e caligrafista, foi autor e tradutor de textos budistas do japonês medieval, chinês e sânscrito para o inglês (já publicou mais de quarenta livros em inglês e japonês). No Japão, foi aluno direto do O-Sensei Morihei Ueshiba, fundador do Aikido. Atua desde os anos 60 como ambientalista e pacifista, sendo fundador e diretor das iniciativas A World Without Armies (mundo sem exércitos) para a desmilitarização das nações e  Plutonium Free Future (futuro livre de plutônio).

CEBB – Centro de Estudos Budistas Bodisatva Caminho do Meio, Viamão, RS

Como todo esse currículo ele consegue ser ao mesmo tempo um poço de sabedoria e de simplicidade. Sua fala é permeada de poesia. Parece que ele estuda cada palavra com cuidado antes de falar. Um pequeno grande homem.

Abertura da exposição UM PINCEL de Kazuaki Tanahashi Sensei, Reitoria da UFRGS Porto Alegre, RS

Acompanhei e fotografei todas as suas atividades no sul do Brasil. Ele chegou no domingo 3 de junho e na segunda de manhã já estava na  UFRGS montando sua exposição. Energia ele tem de sobra na flor dos seus 84 anos de juventude. Na segunda a noite, na abertura da exposição ele pintou seis telas de grandes proporções. Na terça feira deu uma palestra no Teatro da Hebraica. Quarta a noite lançou o livro “Sutra do Coração”. Quinta feira deu duas oficinas de caligrafia no CEBB, uma a tarde e outra a noite. Sexta, sábado e domingo orientou um retiro também no CEBB e, como se não bastasse tudo isso, ainda participou de uma entrevista coletiva domingo a tarde no Instituto Zen Maitreya com diversos mestres e professores do zen budismo e do budismo tibetano no Rio Grande do Sul.

Palestra de Kazuaki Tanahashi Sensei no Teatro da Hebraica – Porto Alegre RS

O responsável pela vinda de Kaz foi Fábio Rodrigues, artista e praticante budista de Joinville. Desde 2016 ele é aluno do Sensei e este ano, com apoio do CEBB e do Lama Samten, ele articulou a vinda do mestre.

Detalhe de “enso” feito durante a palestra no Teatro da Hebraica, Porto Alegre RS
Oficina de caligrafia, CEBB – Centro de Estudos Budistas Bodisatva Caminho do Meio, Viamão, RS
Oficina de caligrafia, CEBB – Centro de Estudos Budistas Bodisatva Caminho do Meio, Viamão, RS
Visita de Kazuaki Tanahashi Sensei a Vila Zen, Viamão, RS
Kaz Sensei, Lama Padma Samten e Fábio Rodrigues no CEBB – Viamão, RS

Oficina de fotografia contemplativa

O que a meditação tem a ver com a fotografia?

Nesta oficina, o experiente fotógrafo, Zé Paiva, vai mostrar que fotografia e meditação tem muito a ver. Alternando dinâmicas de meditação e sessões de fotografia, o grupo vai descobrir como produzir imagens que vão além dos condicionamentos usuais do nosso olhar.

Jericoacoara, Ceará – foto de Ze Paiva – Vista Imagens

Inspirado nos ensinamentos do mestre tibetano Chögyam Trungpa Rinpoche e do Lama Padma Samten, Paiva propõe uma abordagem da fotografia desvinculada dos padrões e regras usuais, através de diferentes dinâmicas que serão desenvolvidas durante a oficina.

Buritis na nascente do Rio Sapão, Tocantins, foto de Ze Paiva, Vista Imagens.

Quem pode participar?

Não é necessária nenhuma experiência prévia em meditação nem curso de fotografia. Pode ser usada qualquer câmera. A ideia da oficina é despertar a sensibilidade da fotografia com uma atitude contemplativa. As saídas práticas serão no vizinho Parque Farroupilha (Redenção).

O que levar?

Uma câmera de qualquer modelo. (pode celular também)
Um tripé se tiver.
Usar roupas confortáveis para meditar.

Quando será?

de 29 de junho a 01 de julho de 2018 – sexta, sábado e domingo.

Onde será?

CEBB – Centro de Estudos Budistas Bodisatva

Rua Garibaldi, 1368 – Veja o mapa!
(próximo à esquina com a Av. Osvaldo Aranha)
Bom Fim, Porto Alegre/RS – Brasil

Programação:

29/06 | sexta-feira | 19h
Roda de Conversa: introdução à dinâmica do curso

30/06 e 01/07 | sábado e domingo
24/02 | sábado
Das 8h às 18h | Orientação, meditação e prática fotográfica (com intervalo para almoço*)

01/07 | domingo
Das 9h às 12h | Compartilhando resultados

TOTAL 13 horas

* O almoço não está incluído no valor do curso. O grupo costuma se reunir e almoçar em algum restaurante da região do Bom Fim.

Inscrições

Vagas limitadas a 20 inscritos.

Contribuição sugerida: R$190,00*

As contribuições são a única e tradicional forma de sustentação dos centros budistas — oferecer sustento é uma prática direta de compaixão e generosidade. Ao contribuir, você apoia a sustentação do CEBB Porto Alegre e do instrutor do curso.

*O valor inclui um livro do autor da série Expedição, “A Natureza do Tocantins.”

Faça sua inscrição online aqui.

Brasilien – o Rio Grande do Sul na Alemanha

Dia 31 de janeiro na galeria Bolsa de Arte, em Porto Alegre,  foi a vernissage da Exposição fotográfica e lançamento do calendário “Brasilien – o Rio Grande do Sul na Alemanha”. A convite da gráfica alemã USCHA do Unterleider Medien Gruppe o Canela Instituto de Fotografia e Artes Visuais, capitaneado por Fernando Bueno, convidou diversos fotógrafos gaúchos para participar desse projeto. A curadoria de Eduardo Veras, Manuel da Costa e Paula Ramos, selecionou numa primeira etapa  25 imagens de 15 fotógrafos. Numa segunda etapa foram selecionadas na Alemanha as 12 que entraram no calendário, impresso com a tradicional qualidade alemã. A escolha do tema foi uma forma da gráfica homenagear o Rio Grande do Sul, pela importância da imigração alemã no estado. Participam da Exposição os fotógrafos Clóvis Dariano, Dudu Contursi, Edy Koltz, Eneida Serrano, Fernando Bueno, Fabio Del Re, Gilberto Perin, Leonardo Savaris, Leopoldo Plentz, Luis Abreu, Luiz Carlos Felizardo, Paulo Backes, Martin Streibel, Tadeu Vilani e Zé Paiva. Vejam abaixo fotos (de Fernando Bueno) e vídeo (de Fernando Pires) da montagem e da abertura. A exposição segue até sexta feira 17 de fevereiro, portanto corre lá pra conferir que vale a pena!

A montagem cuidadosa da exposição na galeria Bolsa de Arte.
A montagem cuidadosa da exposição na galeria Bolsa de Arte.
Marga Pasquali, a proprietária da galeria Bolsa de Arte.
Marga Pasquali, a proprietária da galeria Bolsa de Arte.
O texto dos curadores Eduardo Veras, Manuel da Costa e Paula Ramos.
O texto dos curadores Eduardo Veras, Manuel da Costa e Paula Ramos.
Em primeiro plano o calendário da Uscha.
Em primeiro plano o calendário da Uscha.
Em primeiro plano uma das fotos de Zé Paiva.
Em primeiro plano uma das fotos de Zé Paiva.
Zé Paiva e Fernando Bueno na vernissage.
Zé Paiva e Fernando Bueno na vernissage.

LANÇAMENTO DO LIVRO EXPEDIÇÃO TOCANTINS EM PALMAS E PORTO ALEGRE

Dia 12 de novembro acontecerá o segundo lançamento do livro Expedição Natureza Tocantins, em Porto Alegre, no café da FNAC do BarraShoppingSul. O lançamento acontecerá no Sarau Fotográfico, evento promovido mensalmente pela Escola Câmera Viajante em parceria com a FNAC. Na mesma noite acontecerá a abertura da exposição Natureza Gaúcha, com fotos do segundo livro da série Expedição Natureza, de Zé Paiva. O autor estará autografando ambos os livros nesta noite.

Dia 25 de outubro foi a estréia nacional do livro, no Palácio Araguaia, em Palmas, Tocantins. Lá aconteceu também a abertura da exposição fotográfica do projeto, com curadoria da renomada Rosely Nakagawa. São 47 fotos em diversos tamanhos, algumas que não estão no livro. A exposição fica aberta ao público até 25 de novembro de 2012.

O público, imprensa e autoridades prestigiaram o evento como vocês podem ver nas fotos abaixo.

SERVIÇO:

Projeto e fotografia: Zé Paiva

Prefácio: Bené Fonteles
Textos: Adriana Dias Trevisan
Editora: FM Editorial
Versão: Português e Inglês
Número de páginas: 144
Imagens: 156
Formato: 30 x 28 cm. (miolo fechado)
Acabamento: capa dura e lombada quadrada
Peso: 1,25 kg.
Preço sugerido: R$ 100,00 (cem reais)
Informações gerais: 11 2936-9777 | 3486-9777 | assecom@fmeditorial.com | (FM Editorial)
48 3269-7744 | 9696-1900 | ze@vistaimagens.com.br | (Zé Paiva)

FESTFOTOPOA 2012

Terminou ontem a semana “quente” do VI Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre. Este ano o FestFoto, como é mais conhecido, foi adiado várias vezes e esteve ameaçado de não acontecer, devido a dificuldades com a captação do patrocínio via Lei Rouanet, mas felizmente foi viabilizado. Na pilotagem da equipe  desde a primeira edição está o incansável realizador Carlos Carvalho, carioca que adotou Porto Alegre como domicílio. Este ano a fotógrafa homenageada foi a paulista Nair Benedicto, figura emblemática do fotojornalismo e do documentarismo brasileiro, com quarenta anos de estrada.

Depois de voltar da Semana de Fotografia de Caxias (veja o post anterior), participei, dessa vez só como espectador, da abertura da exposição da Nair e do FestFoto, na terça-feira dia 21 de agosto, e do segundo dia, quando a fotógrafa homenageada participou de uma mesa redonda e lançou o livro com uma retrospectiva do seu trabalho. A exposição ficou muito interessante, e foi  montada no saguão de entrada do Memorial do Rio Grande do Sul, um belo prédio histórico no centro de Porto Alegre, onde aconteceram todas as atividades do FestFoto 2012. As fotos foram montadas na frente e no verso de uma placa e suspensas no teto com finos cabos de aço. O resultado vocês podem conferir abaixo ou ao vivo até 30 de novembro.

Na quarta-feira 22 de agosto assisti a mesa – A experiência das agências independentes da década de 80 – onde Ricardo Chaves, o Kadão do jornal Zero Hora, (que será o homenageado do FestFoto 2013) contou sua experiência na Focontexto e nos divertiu com suas histórias sempre bem contadas e bem humoradas. Depois dele o fotógrafo Juca Martins falou sobre a história da agência F4, que montou com Nair Benedicto e Ricardo Malta em São Paulo, e marcou época no fotojornalismo brasileiro, principalmente pela valorização dos direitos dos fotógrafos.

A seguir aconteceu a mesa redonda com a Nair Benedicto, que foi marcada por muita emoção, pois dela participaram as principais jornalistas parceiras da autora durante sua carreira, além de uma das suas filhas. Nair e as colegas relembraram episódios de diversas matérias publicadas pela imprensa brasileira ao longo de sua vida. Depois de encerrada a mesa aconteceu o lançamento do livro “Vi ver” da Nair, uma retrospectiva de sua trajetória fotográfica com edição das fotos por Célio Rosa, Fausto Chermont, Juca Martins, Ricardo Tilkian (que também assina o projeto gráfico), Salomon Cytrynowicz e da própria Nair. Os textos são de Andréia Peres, Atenéia Feijó, Iza Salles, Junéia Mallas, Laís Tapajós, Rubens Fernandes Júnior, Siã Osai Sales-kachinawa  e da Nair.

Nair Benedicto e Luis Carlos Felizardo, o homenageado do FestFoto 2011. Foto de Vinícius Roratto Carvalho

Capa do livro “Vi Ver” de Nair Benedicto.

Natureza Gaúcha na Cultura

Caros amigos

Dia 12 de maio de 2011 – quinta feira – estarei recebendo todos para um encontro no auditório da Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country em Porto Alegre. Na ocasião vou projetar imagens do livro e falar um pouco sobre este projeto. Também vou mostrar imagens inéditas do projeto que estou trabalhando no momento – Expedição Natureza do Tocantins – com lançamento previsto para o segundo semestre deste ano. Na ocasião acontecerá a abertura da exposição fotográfica do Natureza Gaúcha. Estão todos convidados! Saiba mais sobre o livro aqui.

[slideshow]

Onde: Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country em Porto Alegre

Quando:12 de maio de 2011 – quinta feira – as 19h30

Mais detalhes aqui neste link.

FestFotoPoa 2011

Começou no dia 6 de abril e vai até 1 de maio a quinta edição do FestFotoPoa. O festival  abriu com uma grande exposição retrospectiva do fotógrafo homenageado Luiz Carlos Felizardo. Felizardo ficou conhecido pela sua versatilidade, pois tanto fotografou paisagens sublimes, detalhes arquitetônicos e abstrações em câmeras de formato grande, 4×5 e até 8×10 polegadas, quanto fez cliques voeyrísticos em suas viagens com uma pequena Leica 35mm, sempre em preto&branco. No segundo dia do festival foi lançado um livro também retrospectivo sobre a obra de Felizardo, homenagens mais do que merecidos por este grande fotógrafo.

Apesar de ser conterrâneo meu, ele também nasceu em Porto Alegre, só o conheci pessoalmente em 2004, quando participamos juntos com outros 43 fotógrafos do projeto SP 450 anos em 24 horas, dos irmão Eduardo e Fernando Bueno. O projeto consistia em fotografar um tema sorteado para cada fotógrafo durante as 24 horas do dia do aniversário de 450 anos de São Paulo. Lembro que estávamos todos os fotógrafos hospedados no velho hotel Othon Palace, no centro histórico de São Paulo. O sorteio foi na sexta -feira a noite e eu estava ao lado do Felizardo assistindo. Quando sortearam o tema dele: morrer em São Paulo, ele virou pra mim com uma cara de perplexidade (deve ter imaginado alguma cena de crime), e eu imediatamente reagi dizendo que haviam belos cemitérios em São Paulo. Seu semblante imediatamente iluminou-se. Uma das fotos deste ensaio, Cemitério São Luiz, está na exposição e no livro do FestFoto.

Alguns anos depois, quando lancei meu livro Expedição Natureza Gaúcha, em 2008, Felizardo escreveu um belíssimo texto na sua coluna Imago, na revista Aplauso, sobre o meu trabalho e o do Eurico Salis, meu amigo e contemporâneo, que havia lançado mais ou menos na mesma época o livro Porto Alegre, cenas urbanas, paisagens rurais. O gancho do artigo era a ligação de ambos com Bagé, cidade natal do Eurico, dos meus pais, e com a qual Felizardo tem uma ligação afetuosa. Estas colunas do Feliz renderam um ótimo livro, com o nome da coluna, Imago, lançado em 2010. Felizardo, além de ser um fotógrafo com grande sensibilidade e apuro técnico, ainda escreve soberbamente. Este foi o seu segundo livro de textos, o primeiro, de 2000, chama-se Relógio de ver. [slideshow]

Mas voltando ao FesFoto, depois dessa viagem no tempo. A exposição do Felizardo ocupa quase todo o andar térreo do Santander Cultural, um belíssimo prédio histórico. No andar de cima, uma retrospectiva de Marc Riboud, que achei um pouco linear, ampliações pequenas, todas do mesmo tamanho, acho que não ficou a altura da obra desse grande fotógrafo francês. Nas salas multimídia aconteceram as palestras, mesas-redondas e leituras de portfólio. Falando em mesas-redondas, uma crítica construtiva: acho que foi mal aproveitada a oportunidade, pois juntaram-se grandes cabeças pensantes da fotografia brasileira, mas devido em parte aos atrasos de início em quase todas, sobrava sempre muito pouco tempo para a mesa redonda propriamente dita, onde haveria o debate com o público. A mesa acabava ficando linear, como palestras sucessivas, sem o debate que ao meu ver seria fundamental e produtivo. Prova disso é que numa das mesas mais empolgantes, onde estavam Roberto Linsker, da Editora Terra Virgem, Tiago Santana, da Editora Tempo D’imagem e Dante Gastaldoni, do projeto Brasil passa pelo SESC, discutindo a produção de livros autorais de fotografia no Brasil, a discussão continuou por horas no corredor e no café, porque o assunto era por demais instigante.

O saldo final é que o FestFotoPoa está de vento em popa e acho que todos que participaram este ano estão ansiosos que chegue a sexta edição em 2012, quando a fotógrafa homenageada será Nair Benedito. Quem ainda não foi, não deixe de ir, pois até 1 de maio permanecem as ótimas exposições acompanhadas de sessões de filmes no cinema do subsolo, programa imperdível!

Filmes, livros e sítios

13 dicas de filmes, livros e sítios na internet, sobre fotografia ou natureza, e algumas vezes sobre os dois juntos. Originalmente publicado no blog da ESPM Porto Alegre, onde dou uma master class de fotografia de natureza no Curso Avançado de Fotografia Digital.

Sites:

Ashes and snow, foto de Gregory Colbert.

Ashes and Snow:
Ashes and Snow é um projeto do artista canadense Gregory Colbert. Ele é formado por fotos, filmes e um romance e foi exibido em um museu itinerante, o Nomadic Museum. O trabalho explora as relações entre humanos e animais e foi visto por mais de 8 milhões de pessoas em cidades como Veneza, Nova Iorque, Santa Mônica, Tóquio e Cidade do México. Esta é a exposição de um artista vivo mais visitada de todos os tempos.

AFNATURA:
Portal da Associação de fotógrafos de natureza, onde é possível se associar e acompanhar a divulgação de oficinas e exposições.

Jim Brandenburg:
Site do fotógrafo Jim Brandenburg, que trabalhou para a National Geographic por 30 anos. Além de uma vasta amostra da obra de Brandenburg, comercializa fotos, livros e dvds do artista.

Life Through Time:
Fala sobre o projeto Life, que aborda a diversidade da vida na Terra, desde seus primórdios até os dias atuais. A obra é realizado através da integração da fotografia (LIFE Book), Orchesta (LIFE Music), uma amostra itinerante (LIFE Exhibits) e o próprio site. O responsável pelo projeto é o fotógrafo holandês Frans Lanting.

International League of Conservation Photographers
É uma organização baseada em projetos que busca conscientizar as pessoas sobre a conservação ambiental através de fotografias. De caça ao aquecimento global, perda de habitat para a erosão cultural, a sustentabilidade de corredores biológicos, o trabalho de fotógrafos iLCP abrange toda a gama de ameaças à biodiversidade.

Livros:

Foto de Luiz Carlos Felizardo.

A Câmara Clara – Roland Barthes
Último livro escrito pelo filósofo Roland Barthes, propõe uma reflexão sobre a imagem fotográfica e sobre a vida e a morte.

Imago – Luiz Carlos Felizardo
Traz textos de autoria do fotógrafo porto-alegrense Luiz Carlos Felizardo,  publicados na revista Aplauso. O fotógrafo será o homenageado no 5º FestFoto Poa, que acontecerá de 6 de abril a 1º de maio de 2011.

Satolep – Vitor Ramil
Romance que tem como protagonista um fotógrafo que volta a Satolep, sua cidade natal. A história se passa no início do século 20 e tem “personagens” ilustres como o poeta João Simões Lopes Neto, o jornalista Lobo da Costa e o cineasta Francisco Santos.

Mar de Homens – Roberto Linsker
Esta publicação apresenta 92 fotos que retratam o dia a dia de pescadores artesanais. Linsker iniciou o trabalho em 1997 e percorreu a costa brasileira em busca de imagens que representassem a dura rotina desses trabalhadores.

Chased by the Light – Jim Brandenburg
Este é um livro emblemático para mim, pois acho incrível a disciplina que o mestre Brandenburg teve que ter para realizar este projeto. Durante 90 dias, entre o o equinócio de outono e o solstício de inverno, Brandenburg desafiou a si mesmo e fez apenas uma fotografia por dia, em filme. O resultado pode ser visto nesta publicação, que não foi lançada no Brasil.

Filmes:[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=89Qv44Kn4Bc]
Na natureza selvagem
Dirigido por Sean Penn, conta a história verídica de Christopher McCandless, um jovem americano que decide abandonar tudo para chegar até o Alasca e poder viver isolado na natureza, longe da civilização.  Além de uma ótima história bem filmada, a trilha do Eddie Vedder (Pearl Jam) é de primeira!

Ashes and Snow
Este é o documentário da exposição Ashes and Snow. O filme mostra a harmonia entre humanos e animais num país fictício em aproximadamente uma hora de documentário poético.

Antes da chuva
Este longa traz dois personagens que tem relação com a fotografia: Anne, editora de uma agência de fotos, em Londres e Aleksander, fotógrafo de guerra. Conflitos étnicos-religiosos entre os Macedônios ortodoxos e muçulmanos Albaneses são o pano de fundo para os dilemas existenciais do fotógrafo que volta a sua terra natal.

Lixo Extraordinário:
Conta o trabalho do fotógrafo e artista plástico Vik Muniz, que durante dois anos registrou o dia a dia de catadores em um dos maiores aterros sanitários do mundo, o Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Concorreu ao Oscar de melhor documentário este ano.